Consórcio Imobiliário. Como funciona?

07/09/2020

Consórcio imobiliário é uma opção de crédito voltada para quem deseja comprar um imóvel de forma parcelada e com planejamento financeiro. Portanto, entender como funciona um consórcio imobiliário é um passo importante a ser seguido por você que pretende simplificar a realização do sonho da casa própria ou deseja investir na ampliação do próprio patrimônio.

Confira a seguir todas as informações que vão ajudá-lo a aproveitar ao máximo as vantagens desse sistema.

O que é e como funciona um consórcio de imóveis?

O consórcio é uma invenção brasileira da década de 60, que surgiu como uma alternativa às limitações dos empréstimos e financiamentos oferecidas pelos bancos na época. Para fazer a compra de um automóvel, um grupo de amigos criou um sistema em que cada um deles pagava uma quantia pré-estabelecida, formando uma espécie de autofinanciamento para que todos pudessem adquirir seu veículo.

Com o tempo, o modelo de consórcio evoluiu e passou a ser utilizado na aquisição de vários tipos de bens e serviços, incluindo imóveis. Porém, a ideia continua a mesma: são reunidas, por meio das administradoras de consórcio, pessoas com um interesse em comum.

São oferecidos vários planos, com parcelas, prazos para pagamento e valor da carta de crédito diferentes. Você escolhe o que se encaixa melhor tanto na sua necessidade quanto no seu planejamento financeiro e faz a contratação da sua cota de consórcio. A partir disso você deverá, mensalmente, contribuir com o valor estipulado.

O valor existente no fundo comum do grupo é utilizado para realizar as contemplações dos integrantes. A contemplação é o momento em que o consorciado tem acesso à carta de crédito. Elas acontecem de duas formas: sorteio ou lance. No sorteio todos concorrem em igualdade e contam com a sorte. Já o lance é uma forma de aumentar as chances de contemplação, pois o consorciado oferta um valor para adiantar parcelas do consórcio.

O que é a carta de crédito?

Quando a sua cota é contemplada, você tem acesso à sua carta de crédito, que corresponde ao valor do consórcio contratado. É com ela que você pode adquirir o bem desejado.

A vantagem da carta de crédito é que ela equivale a um pagamento à vista, ou seja, você tem o mesmo benefício de negociação que uma pessoa que está com o dinheiro em mãos. Com isso, é possível negociar uma excelente proposta com o vendedor daquela casa ou apartamento que você tanto desejou ter!

Além disso o modelo é bem flexível. No consórcio de imóveis a carta de crédito pode ser utilizada para a aquisição de casa, apartamento, sala comercial, terreno, bem como construção e reformas. Dessa forma você pode decidir a melhor alternativa para sua necessidade.

Quais são os custos do consórcio?

Uma das grandes vantagens do consórcio é que você não terá que arcar com os juros que, normalmente, são cobrados em outros modelos de aquisição parcelada. Existem apenas algumas taxas, que são bem mais acessíveis e não comprometem o seu orçamento. Conheça todas elas!

Fundo Comum

O Fundo Comum (FC) é o percentual da parcela que compõe o caixa do grupo a ser utilizado para o custeio das cartas de crédito. O valor do FC deve ser igual ao preço do bem previsto para aquisição - considerando a cotação no dia da assembleia - dividido pelo número de parcelas definidas no contrato de adesão ao consórcio.

Suponhamos que o valor da carta de crédito contratada seja de R$150 mil e que você fará o pagamento em um prazo de 180 meses. Dessa forma, a contribuição mensal para o FC será de R$833,33 (150.000 ÷ 180 = 833,33).

Taxa de Administração

A Taxa de Administração (TA) é o valor cobrado pela administradora do consórcio para gestão do grupo de consorciados. Ela varia de acordo com cada administradora, e o montante incluído em cada parcela é calculado a partir da divisão da taxa total pelo prazo de duração do consórcio contratado. Assim, se a TA total for de 20%, por exemplo, o percentual mensal cobrado para um grupo com 180 meses será de 0,1111% (20 ÷ 180 = 0,1111).

Fundo de Reserva

O Fundo de Reserva (FR) - incluído na parcela - se destina a formar um caixa suficiente para cobrir situações que poderiam comprometer o custeio das cartas de crédito. Sem ele, eventuais inadimplências de consorciados inviabilizariam o grupo. Da mesma forma como ocorre com a TA, o FR é estipulado por cada empresa, não havendo um padrão definido. Se o total do FR previsto for de 2%, por exemplo, o percentual do valor incluído na parcela de um consórcio de 180 meses será de 0,0111% (2 ÷ 180).

Seguro

Outra forma de garantir que um grupo de consorciados seja capaz de honrar as cartas de crédito é a inclusão de um seguro no valor da parcela. Com isso, é possível cobrir imprevistos e sinistros, como as inadimplências derivadas de causas como morte ou desemprego de algum consorciado, entre outras situações. Quando há a cobrança de seguros, o valor da apólice é estabelecido pela administradora, não havendo um percentual definido.

Taxa de Adesão

Caso o consórcio seja adquirido por intermédio de um vendedor, é possível que haja a inclusão da Taxa de Adesão, sendo ela, destinada à remuneração do profissional.

Como fazer um consórcio?

A adesão ao consórcio é bastante simples. O primeiro passo é buscar uma administradora de sua confiança e analisar as opções de planos disponíveis. Tenha em mente o preço do bem que você deseja adquirir, o valor de parcela mais adequado às suas finanças e o prazo de pagamento das parcelas, para escolher a melhor opção para conquistar seu objetivo.

Depois de definir o plano mais adequado, é necessário assinar o contrato de adesão para consolidar a aquisição da cota. A documentação exigida é básica, sendo solicitado apenas a apresentação de RG, CPF e comprovante de endereço.

O que levar em conta ao escolher uma administradora?

O consórcio pode ser encarado como um investimento seguro, o qual traz um retorno garantido ao investidor. Portanto, para que estes ideais se cumpram, a escolha da administradora deve ser feita com bastante critério. O primeiro deles é verificar se a empresa está devidamente registrada no Banco Central - condição indispensável para que ela atue legalmente no mercado de consórcios. A pesquisa pode ser feita com facilidade pelo site da instituição.

Depois de verificar, é preciso avaliar o nível de transparência que a administradora apresenta. Tal avaliação pode ser feita considerando a clareza com a qual a empresa passa as informações sobre custos, formas de reajustes de parcelas, sorteios, lances e contemplações, entre outras.

Avaliar a credibilidade da administradora no mercado também é outro critério que deve ser seguido. Nesse sentido, é conveniente pesquisar na internet as opiniões de clientes da empresa e a posição na qual ela se encontra no ranking de reclamações do Banco Central. Além disso, lembre-se de considerar a qualidade do atendimento oferecido aos clientes, pois quanto mais satisfatório for o atendimento, melhor.

Fonte: Racon